domingo, julho 9

Desconstrução de comportamentos

Criei o meu blog em 2009, isto é, há oito anos. Numas alturas mais ativo, noutras menos, mas foi sempre o reflexo daquilo que penso, daquilo que sinto, numa espécie de diário mais ou menos íntimo. Escrevia diariamente, inclusive aos fins de semana, sempre que me apetecia e achava que tinha alguma coisa minimamente interessante sobre o que escrever. No início da minha gravidez resolvi escrever apenas às sextas-feiras. Sofri bastante de enjoos e de vómitos até ao oitavo mês da minha gravidez, por isso, a vontade para escrever não era muita. A minha médica prescreveu-me a medicação mais usual para esta situação, mas dos três comprimidos diários que me prescreveu, resolvi tomar apenas um diariamente. Não me retirava os sintomas na totalidade, mas aliviava-me a indisposição. Depois do meu bebé nascer, a pouca vontade para escrever foi substituída pela falta de tempo para o fazer. Agora, com algumas rotinas já estabelecidas, ontem senti uma vontade enorme de voltar a escrever aqui sempre que me apetece. E como me apetece tanto agora! Por isso, não será apenas às sextas-feiras que encontrarão aqui um texto meu.

Mas esta minha vontade surgiu em forma de lamento, mais de revolta talvez. Agora que me conheço cada vez melhor, e que já me desiludi a mim própria algumas vezes por me ter visto de forma tão ingénua em diversas situações – e ainda hoje isto me acontece, muito! –, vejo as situações e os outros com um maior distanciamento sem me afastar de quem quer que seja, com tolerância q.b. – o que não é mau visto ter a noção de não ter nascido com esta característica muito desenvolvida -, e com mais compreensão, uma compreensão que será mais a curiosidade para tentar entender por que as pessoas se comportam de determinada maneira. Confesso que esta análise me tem sido muito útil nos livros que tenho escrito, e nos que se seguirão também, com certeza. Mas isto tudo que parece tanto para mim - distanciamento, tolerância e compreensão -, não faz com que deixe de sentir tristeza, frustração e indignação quando vejo comportamentos arrogantes, mesquinhos ou snobes. – Parece que os adjetivos neste texto andam agrupados em três. - A minha simplicidade nata leva-me a desconstruir os comportamentos no outro e quase sempre consigo chegar à sua explicação, e isto leva-me a ver que o ser humano é, por vezes, muito pobre de espírito, de bondade, de curiosidade pela vida e pelos outros. O que nos vale é que isto da mesquinhez, da arrogância e do snobismo fazem parte de uma minoria que não está toda incluída no mesmo estrato social, profissão, género, idade ou nacionalidade. Não há caixas onde se enfiam as pessoas por características, não me canso de dizê-lo embora mentes quadradas não o queiram compreender. Enfim, a arrogância, a mesquinhez e o snobismo fazem parte de poucos, felizmente, o que significa que não há motivo para grandes receios, julgo que a humanidade não está perdida. 

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